O INSS paga os valores retroativos referente ao tempo de espera pela perícia desde o dia da sua solicitação, mas com uma condição fundamental: a sua incapacidade deve ser comprovada e o benefício precisa ser oficialmente aprovado.
Neste post, explicaremos de forma clara como funciona a divisão de pagamentos entre a empresa e a Previdência Social, quais são os prazos reais para o dinheiro acumulado cair na sua conta e o que você deve fazer caso o INSS negue o seu pedido após meses de espera.
Vamos lá!
Neste texto você encontrará:
O INSS paga o tempo de espera pela perícia médica?
Sim. O INSS é obrigado a pagar por todo o período em que você ficou aguardando a realização da perícia médica, desde que o pedido do Auxílio por Incapacidade Temporária (antigo auxílio-doença) seja aprovado pelo médico perito.
Para garantir esse pagamento retroativo, o INSS utiliza um conceito chamado Data da Entrada do Requerimento (DER). A DER é o dia exato em que você ligou para o 135 ou acessou o aplicativo Meu INSS para dar entrada no pedido.
Se a sua perícia foi agendada para quatro meses depois da DER, e o perito constatar que você realmente estava incapacitado durante esse período, o INSS fará o pagamento acumulado desses quatro meses de espera em uma única parcela.
Atenção à exceção: Se o perito avaliar você e decidir pelo indeferimento (negar o benefício alegando que você está apto ao trabalho), o INSS não realizará nenhum pagamento pelo tempo aguardado.
Quem é responsável por pagar o trabalhador durante a espera da perícia?
Para o trabalhador com carteira assinada (CLT), existe uma divisão clara de obrigações financeiras determinada pela legislação trabalhista e previdenciária.
Entender essa divisão evita confusões com o setor de Recursos Humanos (RH) da sua empresa.
A responsabilidade pelo seu pagamento é dividida da seguinte forma:
Período de Afastamento | Quem é o responsável pelo pagamento? |
Do 1º ao 15º dia | A Empresa (Empregador). O trabalhador recebe seu salário normal pago pela empresa, mediante a entrega do atestado médico. |
A partir do 16º dia | O INSS. A empresa cessa o pagamento do salário e o trabalhador passa a receber o benefício previdenciário (após a aprovação na perícia). |
E os outros tipos de trabalhadores?
Para os trabalhadores autônomos (contribuintes individuais), contribuintes facultativos, MEIs ou trabalhadores desempregados que ainda estão no Período de Graça, a regra muda: a empresa não existe na equação.
Portanto, a responsabilidade de pagamento do INSS começa diretamente a partir da data do início da incapacidade (se o benefício for pedido em até 30 dias) ou a partir da data do pedido (se solicitado após 30 dias).
Quanto tempo depois da perícia o INSS libera o dinheiro do benefício?
Após passar pelo exame presencial (ou pela análise documental), o resultado da perícia não é entregue em mãos. Ele costuma ser liberado no sistema do portal ou aplicativo Meu INSS a partir das 21h do mesmo dia.
Ao acessar o sistema e confirmar que o benefício foi “Concedido”, o INSS iniciará o processamento financeiro. Na prática, o primeiro pagamento, que já incluirá todos os valores retroativos acumulados desde a data do pedido (DER), geralmente é liberado e depositado na conta bancária informada entre 15 e 30 dias após a aprovação da perícia.
Junto com a aprovação, o sistema disponibilizará a Carta de Concessão, um documento que detalha o valor exato a ser recebido e o banco onde o dinheiro estará disponível para saque.
O que acontece se o INSS demorar mais de 45 dias para analisar o pedido?
A Lei nº 8.213/91 estabelece que o INSS tem um prazo legal de 45 dias para implantar o benefício e realizar o primeiro pagamento após a apresentação de todos os documentos e o cumprimento dos requisitos pelo segurado.
Se a demora na fila de análise ou na marcação da perícia presencial fizer com que o INSS ultrapasse esse prazo de 45 dias, a lei determina que o valor retroativo recebido pelo segurado deve ser corrigido monetariamente. Ou seja, o INSS deverá embutir a correção da inflação sobre o valor atrasado para que o trabalhador não sofra perdas financeiras.
Alternativa para fugir da fila em 2026
Para evitar a longa espera por uma perícia presencial, o INSS ampliou o uso do Atestmed.
Trata-se da análise documental remota, onde o segurado anexa o seu atestado médico e exames diretamente no aplicativo Meu INSS.
Se a documentação estiver perfeitamente legível e dentro dos padrões exigidos, o perito aprova o benefício a distância, garantindo uma liberação financeira muito mais ágil.
O que fazer se o INSS negar o pedido após o tempo de espera?
O pior cenário para o segurado é aguardar meses em casa, sem receber salário da empresa, e ao final ter o benefício indeferido (negado) pelo perito do INSS. Neste caso, nem a empresa e nem o INSS pagarão por esse período de espera de forma automática.
Para não ficar no prejuízo, o trabalhador possui duas alternativas práticas:
- Recurso administrativo: o segurado tem o prazo de 30 dias após o resultado negativo para apresentar um recurso no próprio portal do INSS. O pedido será encaminhado à Junta de Recursos. Contudo, essa via costuma ser lenta e, em casos de avaliação médica, possui baixo índice de reversão.
- Ação judicial (recomendada): com o auxílio de um advogado especialista em direito previdenciário, você pode ingressar com uma ação contra o INSS na Justiça Federal. O juiz nomeará um perito imparcial (frequentemente um médico especialista na sua doença) para reavaliar o seu quadro.
Se o perito judicial confirmar que você estava incapacitado desde a data do pedido original, o juiz condenará o INSS a pagar todos os valores atrasados de uma só vez, com juros e correção monetária.
Conclusão
Aguardar a perícia do INSS é um teste de paciência, mas a legislação garante que o seu tempo de espera não será em vão, desde que a sua incapacidade seja comprovada e os trâmites burocráticos sejam seguidos.
É indispensável guardar o comprovante do seu pedido (com a DER) e, caso a espera dure meses, continuar indo ao seu médico particular para manter atestados e exames atualizados para o dia da avaliação.
Se o INSS está atrasando excessivamente a análise do seu caso, se o valor dos seus retroativos foi calculado de forma incorreta ou se o seu benefício foi injustamente negado, a orientação técnica especializada é fundamental para resgatar o seu dinheiro.
A Schmitz Advogados possui quase três décadas de excelência e autoridade na defesa dos direitos previdenciários de segurados em todo o Brasil. Atuamos de forma ágil para reverter negativas injustas e garantir que o INSS pague cada centavo retroativo a que você tem direito.
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