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Contribuição não aparece no CNIS: motivos e como regularizar

A ausência de uma contribuição no seu Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) ocorre por diversos motivos, que variam dependendo do seu tipo de vínculo trabalhista, seja você um empregado com carteira assinada (CLT) ou um trabalhador autônomo.

Se você acessou o seu extrato e percebeu que meses ou anos de trabalho não constam no sistema, mantenha a calma. O seu dinheiro investido ou o seu tempo de serviço não estão perdidos, mas será exigida a abertura de um procedimento de acerto de dados no INSS.

Vamos esclarecer todas as possibilidades que causam esse “sumiço” das contribuições e mostrar exatamente como você deve proceder no aplicativo para resolver a situação e garantir o seu benefício.

Neste texto você encontrará:

Quanto tempo demora para a contribuição paga aparecer no CNIS?

Em média, uma contribuição paga leva de 3 a 15 dias úteis para constar oficialmente no seu extrato do CNIS. 

Esse é o prazo necessário para que o banco processe a compensação financeira do pagamento e, em seguida, os sistemas da Receita Federal repassem esses dados de forma integrada para a base do INSS.

Portanto, se você realizou o pagamento da sua guia recentemente, a orientação é aguardar o término desse prazo de compensação bancária antes de se preocupar ou abrir um protocolo de acerto de dados desnecessariamente.

Por que minhas contribuições do INSS não aparecem no CNIS?

A falta de registros no seu extrato é causada, em regra geral, por falhas de integração entre os sistemas do governo, pagamentos realizados com dados de identificação incorretos ou pela omissão de declaração por parte de terceiros.

Como as contribuições são recolhidas e informadas de formas completamente diferentes para quem trabalha com carteira assinada e para quem paga o próprio INSS, a origem do erro muda de acordo com a sua categoria profissional. 

Entenda as falhas específicas de cada modalidade a seguir.

Possíveis motivos das contribuições do empregado CLT não aparecerem no CNIS

Para os empregados regidos pela CLT, a responsabilidade de descontar o INSS do salário e repassar a informação e o dinheiro ao governo é inteiramente da empresa empregadora, por meio do sistema e-Social. 

Se o seu vínculo não aparece, os motivos costumam ser:

  • o empregador descontou o valor no contracheque, mas não pagou a guia ao governo (inadimplência);
  • a empresa realizou o pagamento, mas cometeu erros no envio da declaração da folha de pagamento no e-Social ou na antiga GFIP;
  • houve inconsistência nos seus dados cadastrais enviados pelo RH da empresa (como divergência no número do seu CPF ou PIS/PASEP).

 

Possíveis motivos das contribuições do autônomo ou facultativo não aparecerem no CNIS

Para os contribuintes individuais (autônomos), Microempreendedores Individuais (MEI) e segurados facultativos, a responsabilidade de emitir a guia e efetuar o pagamento é do próprio trabalhador. 

Nessas categorias, a ausência no CNIS geralmente ocorre por:

  • pagamento da guia da previdência social (GPS) ou DAS utilizando um número de NIT/PIS errado;
  • uso de um código de pagamento incompatível com a sua categoria no INSS;
  • pagamento de um valor inferior ao salário mínimo vigente daquele ano, sem a realização da complementação exigida por lei;
  • pagamento realizado fora da data de vencimento sem o cálculo correto de juros e multas.

Como consultar e baixar o extrato CNIS no Meu INSS?

Para encontrar o seu CNIS atualizado, basta acessar a plataforma digital da Previdência Social. Siga este passo a passo:

Acesse o site ou aplicativo Meu INSS e faça o login com o seu CPF e a senha da conta Gov.br:

 

Na tela inicial, busque pela opção “Extrato de Contribuição (CNIS)”:

 

Na tela seguinte, o sistema apresentará o resumo das suas informações. Desça até o final da página e clique na opção “Baixar PDF”:

O sistema perguntará qual versão você deseja. Selecione a opção “Vínculos e Remunerações” para fazer o download do seu extrato completo:

 

Pronto, o seu CNIS será aberto para que você possa conferir mês a mês os seus registros:

 

O que fazer quando o INSS não reconhece a contribuição ou vínculo?

Quando há períodos trabalhados ou guias pagas que não constam no sistema, você deve solicitar formalmente um procedimento chamado Acerto de CNIS (Atualização de Vínculos e Remunerações). Esse acerto de dados pode ser requerido a qualquer momento da sua vida laboral. 

Contudo, é fundamental que você realize essa correção antes de solicitar a sua aposentadoria ou qualquer outro benefício previdenciário, pois o INSS utilizará exclusivamente os dados que já estão validados no CNIS para aprovar ou negar o seu pedido.

Quais documentos provam o tempo de trabalho e as contribuições?

A aprovação do seu Acerto de CNIS depende da apresentação de documentos da época do trabalho. O INSS exige provas documentais específicas para cada tipo de segurado. 

Confira a tabela de exigências abaixo:

Categoria do Trabalhador

Documentos Exigidos para Provar a Contribuição

Empregado CLT

Carteira de trabalho (CTPS) física original sem rasuras; 

contrato de trabalho; 

holerites (contracheques) da época; 

extrato analítico do FGTS; 

termo de rescisão (TRCT).

Contribuinte Individual/MEI/Facultativo

Carnês antigos do INSS; 

guias da previdência social (GPS) ou DAS originais com o comprovante de pagamento anexo; 

declaração de imposto de renda; 

notas fiscais de prestação de serviços.

Trabalho Informal reconhecido via Ação Trabalhista

Cópia integral do processo trabalhista (com trânsito em julgado); 

sentença judicial reconhecendo o vínculo;

planilha de cálculos homologada pela Justiça do Trabalho.

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Como solicitar a inclusão de contribuições no Meu INSS?

Para corrigir falhas ou incluir períodos que não estão no seu CNIS, você precisará acionar o INSS combinando o atendimento telefônico e o envio digital dos documentos. 

O procedimento correto é:

  • Preencha o formulário oficial de Requerimento de Atualização do CNIS (RAC) fornecido pelo INSS, detalhando exatamente qual vínculo ou mês está faltando;

 

  • Ligue para a Central Telefônica do INSS no número 135 e solicite ao atendente a abertura de tarefa para Acerto de Vínculos e Remunerações (regularização do CNIS);
  • Após o atendente gerar o protocolo, acesse imediatamente o site ou aplicativo Meu INSS;
  • Procure a aba de Tarefas ou a notificação de Cumprir Exigência;
  • Anexe o seu requerimento preenchido e todos os documentos comprobatórios (CTPS, holerites, carnês) digitalizados em formato PDF legível; 
  • Finalize a exigência e anote o número do seu protocolo para acompanhamento.

Quanto tempo o INSS demora para analisar e atualizar o CNIS?

O prazo legal regulamentar que o INSS possui para analisar a documentação e concluir o pedido de atualização do CNIS é de até 45 dias. No entanto, a realidade prática das agências demonstra que esse prazo é frequentemente ultrapassado devido à alta demanda de análises podendo levar entre 60 e 90 dias úteis. 

É fundamental que o segurado faça o acompanhamento periódico do status do seu protocolo inserindo o número do pedido diretamente na aba Consultar Pedidos do aplicativo Meu INSS.

O que fazer se o pedido de acerto no CNIS for negado pelo INSS?

O indeferimento do seu pedido de acerto significa que o INSS recusou as suas provas e excluiu oficialmente aquele período do seu histórico, o que impede a contagem desse tempo e desse dinheiro para a concessão de aposentadorias, auxílio-doença ou salário-maternidade.

No entanto, o indeferimento administrativo do INSS não é a palavra final. Para reverter esse cenário e não perder os seus direitos, você possui duas opções principais: o recurso administrativo e a via judicial.

O recurso administrativo consiste em protocolar uma contestação diretamente na Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em até 30 dias após a notificação da negativa. Essa via é interna e costuma ser mais lenta, sendo indicada apenas para erros de análise muito simples e evidentes por parte do servidor.

Já a ação judicial previdenciária é o caminho mais eficaz e seguro para obrigar o INSS a reconhecer a validade da sua carteira de trabalho, da sua ação trabalhista ou dos seus carnês de pagamento, por isso é a via mais recomendada. Na Justiça, o caso sai das mãos do INSS e é avaliado de forma abrangente por um juiz imparcial. 

Com o suporte de um escritório de advocacia especializado, as suas provas documentais ganham força total para garantir a averbação de cada centavo e cada dia trabalhado.

Conclusão

Como detalhamos, não basta ter o direito, é preciso comprová-lo documentalmente perante a Previdência Social através do procedimento de Acerto de Vínculos e Remunerações.

Se o INSS se recusar a incluir os períodos em que você efetivamente trabalhou, ignorar as guias que você pagou com esforço, ou se o sistema está exigindo comprovações que você não sabe como fornecer, a proteção dos seus direitos exige atuação técnica.

A Schmitz Advogados possui quase três décadas de excelência e autoridade na resolução de litígios previdenciários e na auditoria minuciosa de históricos contributivos. 

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Foto de Marília Schmitz
Marília Schmitz

Especialista em Direito Previdenciário com escritórios no Rio Grande do Sul e Espírito Santo. (OAB RS 079915)

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